segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Auto-piedade

  Ok, eu já escutei. Eu sei que está tudo errado, que abrimos falência, que ele não te dá assistência, que não há mais a quem recorrer. Agora conte-me algo que ainda não sei.
  Pare de tentar culpar alguém por te enterrar na cova em que você tem cavado esse tempo todo com esse seu orgulho imbecil, por se achar tão melhor, por alegar que sofreu mais. De que adiantou chorar tanto se, além de não ter resolvido coisa alguma, ainda não aprendeu nada?
  Mais imbecil sou eu por tentar explicar o que você tem feito de errado, enquanto tudo o que você tem em mente é essa sua auto-piedade imbecil.
  Sente e chore então. Chore, chore por sua mãe que adoeceu, por seu pai que ganhou mais do que merecia e perdeu, por todos que tentaram te ajudar enquanto você recusa e diz que está tudo bem. Não está bem, e você deveria olhar pra tudo o que tem acontecido e se dar conta de que o erro está em todas as atitudes que você tem tomado desde então.
 Mas tudo tanto faz, vou tomar uma banho para esfriar a cabeça e fingir que essas lágrimas salgadas de ódio são só água quente, vamos fingir. É só assim que você entende.
  Eu deixo de te procurar na sua cova agora, antes que te ache e você me leve junto.
  Pra mim você morreu.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Moral

 A compaixão foi evolutivamente desenvolvida para a continuidade da espécie.
 Com o passar do tempo, o crescimento demográfico e etc um homem transformou-a em instrumento para a dominação e deu "religião" como nome pra isso.
 Compaixão foi uma coisa importante quando a população sob a Terra era de três Neandertais, hoje há 6 bilhões de seres humanos parasitando nosso planeta. Seleção natural também elimina a concorrência, ela é quem  manteve a espécie viva tempo o suficiente pra você sentar sua bunda na cadeira do computador no presente momento.
 Não é feio quando um Guepardo na savana mata uma zebra, não é feio quando você atira em alguém com uma faca na sua garganta, não é feio se aproveitar de alguém. É conveniente. A conveniência te trouxe até aqui, não a desonre.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Á vontade

 Eu não sei porque tenho tentado escapar de você, minhas desculpas tem ficado cada vez menos convincentes principalmente quando vens á mim.
 Eu cansei de me fazer de surda ás minhas vontades. A vida é curta demais e não seremos jovens para sempre. Venha, não tem que ser nada importante, só estamos nos divertindo.
 Pense depois, sou só eu e você por enquanto. Pare de analisar, não tem que ser complicado. É a coisa mais simples de todas, é instinto.
 Eu sei que a vida é um jogo de azar, mas para se ganhar algo tem que arriscar perder tudo. Nem que eu perca tudo de novo, eu não sei mais viver no meio.
  Isso de te ver pela metade está me matando por dentro. Tenho medo de te assustar, mas eu te quero inteiro, pois estou completamente com você. A verdade é que eu cansei de me machucar, mas eu não vou mais pensar nisso,  por agora você é o que me basta.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Já teci minha armadura
forjada em verdade dura
Me escondi no que achei ser a cura
Me perdi.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Carta á quem não quer ver

 Eu só queria que entendesse, que tirasse os filtros corroídos por meias verdades de outrora e ouvisse. Mas como estás, um cego entenderia melhor a luz do Sol do que você entende o que digo. Replica-me com um discurso de caricatura cartunista, sua ingenuidade beira o orgulho infantil, sua cabeça é uma esponja que uma vez cheia só transborda a água limpa, mantém o que é turvo para si.
 Não que eu não ache bela (e até inveje) sua cega esperança na sociedade, porém não me diga que queres reais soluções. Turvaste seus olhos com os sonhos de outrora e se mantém repetindo o discurso corroído de outros, feito lavagem cerebral, come se tentasse constantemente convencer a si mesmo.
 Admito já ter sido algo como tu és, mas quando a verdade cruzou meu caminho não tachei-a de indecente e cerrei o olhos. A verdade não é feita para gostar, nem sempre é remediável (principalmente com sua filosofia de auto-ajuda). Verdade é para ser aceita em toda a sua feiúra e dimensão, ela é maior que nós e nossa existência só vale se a compreendermos, para vê lá tente se despir, por alguns momentos que seja, dos sonhos que querias (queria eu também) que fossem verdade.
 Não que me julgue a dona da verdade, quando mais aprendo mais vejo minhas dúvidas aumentarem, quando não te perguntas constantemente se estás errado que erras.
 Se contexto é porque te quero bem. Se não há como chacoalhá-la até que seus pensamentos se reorganizem decentemente, resta-me a aceitação que seu cérebro é agora uma pedra gravada de idéias tortas que só a deixará quando seu corpo voltar ao pó.
 Sinto que tenha parado no caminho, contentada com suas meias verdades. Tem gente que só consegue lidar com o que é fácil. Acho que não posso mesmo mudar o mundo, há gente demais como você (ou pior).
 Não a culpo por querer se manter em sua segurança, por vezes quero eu a calmaria de tempos em que achava haver remédio para as dores do mundo.
 Enfim, não há justiça, não há salvação, há gente que só quer o ócio e a acomodação e nunca sairá disso, talvez não haja nem a verdade absoluta que temos tentado buscar. Que o ciclo frenético reinicie-se para que possamos tentar recomeçar direito, pois para tal degradação em que nos encontramos, creio que não haja Deus que nos exorcize.
 A única verdade que tenho por enquanto é que é quase exata a previsão de que, na busca da salvação de si e do próximo o homem se aniquilará, pois não temos metade das verdades que achamos possuir.

domingo, 15 de maio de 2011

 Você passa o ensino fundamental inteiro esperando chegar ao médio, o médio todo esperando ter 18 anos, a vida toda esperando o dia seguinte. Quando verás que quem faz o hoje é você e que isso não mudará amanhã? O amanhã pode nem existir.
 E nem você.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Cold play

 As cortinas se abrem e o holofote é seu. Você é cega, amorfa e não viu nada, é como se fosse a primeira vez.
 Lá vamos nós novamente, já perdi a conta de quanto repito, já esqueci de curar-me quando me firo. Já nem me importo, sinto que os restos estão mortos, mas não tenho tentado os salvar.
 Morrem todos os meus argumentos, não há o que discutir. Todos erramos e eu perdi.
 Desculpe se não te curei, não sei nem curar a mim.
 Grito, choro de novo, só para não dizerem que não tentei. Recolho os cacos e os fecho no belo simulacro, quem se abala é você.
 O show acaba, vamos para nossas respectivas casas, foi só. Eu fui erro seu, o resto é falha minha.
 O que me restou foi fugir daquela companhia macabra. Agora que o show acabou eu começo a fingir.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Redenção

É tanta aporia.
Que só Sócrates entenderia,
ou nem ele, que há muito viveu.

É tanta mais valia,
que o importante
já se perdeu.

Queria eu aquela velha calmaria
que viria
me enaltecer.

Foi tanta alforria,
que de iguaria, sobrou-nos
miséria a sorver.

Como culpar quem crê em utopia
se eu queria
que ela pudesse acontecer?

terça-feira, 22 de março de 2011

Eu queria é ser estrela, de poeira já sou cheia.

 Almejava ser uma estrela massiva, linda, gloriosa. Perto de tudo, porém tão grande que engolfa quem se aproxima. Ofuscante, solitária, estéril.
 Eu quero todo o brilho da vida rápida e o espalhafato da morte explosiva em rica poeira colorida, sucumbindo ao virar do avesso. Linda se vista ao longe, abrasiva se nítida.
 Talvez eu tenha morrido há muito e essa luz que acho ver em mim, é só resíduo de uma estrela extinta há muito, viajando de longe, morta.

 Mas me sinto numa estrela de nêutrons, eternamente estática, presa em mim. Tão densa que temo afundar sem atrito, aporética, sem nunca achar o fundo.
 O problema é querer ser supermassiva para explodir em supernova e terminar como um buraco negro, sem cor, sem fim, sem fundo, destruindo tudo o que criou e amou. Não tiro da mente que a mim restará a segunda opção, mas não arriscarei a ficar no meio, na segurança de um sistema estável e aconchegante, eu sou extrema demais pra ser tão morna. Me sinto grande demais para ser tão fria, mas de quente eu só tenho as dúvidas.

terça-feira, 1 de março de 2011

i said "maybe you're gonna be the one that saves me"

 Lá vinha você denovo, lindo e ofuscante, marcava-me as retinas, reluzindo no alto dos seus um e oitenta e tantos... tantos!
 Talvez nem tantos assim, talvez eu que seja muito pequena frente a ti, ou você grande demais para caber em si. Podiam ser só meus um e cinqueta e poucos centímetros de altura marcando-se (pouco) presentes, mas é que nunca me pareceram tão poucos, envergonhados de sermos tão pequenos juntos a seus braços fortes. Enormes.
 Tá, talvez nem tão grandes assim. É que quando me abraças eu, já diminuta em tamanho, sumo de vista. Ou talvez só suma. Em suma é tudo o que há pra fazer.
 Talvez você nem tivesse tanta luz assim, talvez não fosse tão grande (e nem eu tão pequena), talvez quem some é você, difuso dentro de mim. É que sei lá, parecia que tinha que ser coisa muito grande pra parecer certo eu me sentir tão protegida se envolvida por ti... Perdida em mim.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Pique-esconde

 Tem essa coisa errada em você que me atrai. Não sou o tipo que curte perigo, coisa errada, gente sem concerto... Esse é o ponto: o concerto. Se há algo errado nada é mais motivador do que o concerto. Demasiada ambição da minha parte, sei, mas é maior que eu: enquanto não houver certeza ABSOLUTA de que não há uma gota do que presta em você eu continuo. Eu acho que posso fazer dessa gota um vasto mar lindo e revolto em qual só eu saiba navegar. Meu.
 Mas não tem meu, não há mar e talvez não haja nem uma gota! Talvez eu só acredite porque eu quero, não há evidência.
 Você mostra e então esconde e eu não quero mais brincar disso. Perdeu a graça, perdi o jogo. Perdi você. Eu me perdi.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Analista

 Doutor, eu não tinha certeza se devia, mas vim... É que que tenho sentido uma coisa meio estranha, sei lá, como se estivessem puxando meu estômago em direção à boca e fica difícil respirar. Eu escondo (e muito bem) quando sinto isso. É uma mistura de enjôo com falta de ânimo... E dói, doutor! Em algum lugar perto do coração, sempre quando algo foge do que foi planejado. Até aí, ok, era ocasinal, eu sabia lidar quando acontecia e logo ficava bem. Mas tem ficado cada vez mais frequente, na presença de uma pessoa em específico.
 É um misto de raiva, tristeza e decepção, ás vezes dói até a cabeça, o enjôo não me deixa nem falar, o problema é que eu gostava muito de falar com essa pessoa, talvez até demais! E tem dado tudo errado, tenho agido ás avessas, demonstrando o que não sinto, disfarçando tudo com um sorriso. Como se estivesse bem... Mas não está bem, tudo está errado, nada encaixa e tenho medo! Medo de ser a qual enlouqueceu, quem está do avesso, quem espera tudo de quem não dará nada!
 Deve ser minha culpa (sempre é). A presunção tem me cegado, e sem minha verdade eu não sou nada.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Crise existencial

Ando com uma saudade estranha...
Saudade de ninguém,
de todo mundo.
Sinto saudades de mim.
Por onde tenho andado?

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Ghost of you

 Estava tudo certo, eu tinha certeza absoluta, não havia um fio sequer fora do lugar. A trama era perfeita só faltava o xeque-mate.
 "Mate." a temida ordem, o medo era dá-la ao meu próprio coração.
 Não havia certo e errado, errado era o medo, pois só se tem controle de suas próprias ações e por mais que as meça nem tudo é manipulável.
 Eu desaprendi de apostar. Na última mesa em que me sentei limparam-me os bolsos, agradeço pelos amigos que me acolheram. O que ganhei na última aposta foram as incertezas de tudo, com elas o temor de me entregar e me ferir. Mal me lembrava do acontecido eu só tinha esse fantasma que me parava sempre que piscava o sinal de perigo.
 E não houve nenhuma aposta depois daquela.

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