As cortinas se abrem e o holofote é seu. Você é cega, amorfa e não viu nada, é como se fosse a primeira vez.
Lá vamos nós novamente, já perdi a conta de quanto repito, já esqueci de curar-me quando me firo. Já nem me importo, sinto que os restos estão mortos, mas não tenho tentado os salvar.
Morrem todos os meus argumentos, não há o que discutir. Todos erramos e eu perdi.
Desculpe se não te curei, não sei nem curar a mim.
Grito, choro de novo, só para não dizerem que não tentei. Recolho os cacos e os fecho no belo simulacro, quem se abala é você.
O show acaba, vamos para nossas respectivas casas, foi só. Eu fui erro seu, o resto é falha minha.
O que me restou foi fugir daquela companhia macabra. Agora que o show acabou eu começo a fingir.
Marcadores
- prosa (22)
- poesia (17)
- mini poesia (12)
- prosa poética (10)
- reflexão filosófica (6)
- in english (3)
sexta-feira, 6 de maio de 2011
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Redenção
É tanta aporia.
Que só Sócrates entenderia,
ou nem ele, que há muito viveu.
É tanta mais valia,
que o importante
já se perdeu.
Queria eu aquela velha calmaria
que viria
me enaltecer.
Foi tanta alforria,
que de iguaria, sobrou-nos
miséria a sorver.
Como culpar quem crê em utopia
se eu queria
que ela pudesse acontecer?
Que só Sócrates entenderia,
ou nem ele, que há muito viveu.
É tanta mais valia,
que o importante
já se perdeu.
Queria eu aquela velha calmaria
que viria
me enaltecer.
Foi tanta alforria,
que de iguaria, sobrou-nos
miséria a sorver.
Como culpar quem crê em utopia
se eu queria
que ela pudesse acontecer?
terça-feira, 22 de março de 2011
Eu queria é ser estrela, de poeira já sou cheia.
Almejava ser uma estrela massiva, linda, gloriosa. Perto de tudo, porém tão grande que engolfa quem se aproxima. Ofuscante, solitária, estéril.
Eu quero todo o brilho da vida rápida e o espalhafato da morte explosiva em rica poeira colorida, sucumbindo ao virar do avesso. Linda se vista ao longe, abrasiva se nítida.
Talvez eu tenha morrido há muito e essa luz que acho ver em mim, é só resíduo de uma estrela extinta há muito, viajando de longe, morta.
Mas me sinto numa estrela de nêutrons, eternamente estática, presa em mim. Tão densa que temo afundar sem atrito, aporética, sem nunca achar o fundo.
O problema é querer ser supermassiva para explodir em supernova e terminar como um buraco negro, sem cor, sem fim, sem fundo, destruindo tudo o que criou e amou. Não tiro da mente que a mim restará a segunda opção, mas não arriscarei a ficar no meio, na segurança de um sistema estável e aconchegante, eu sou extrema demais pra ser tão morna. Me sinto grande demais para ser tão fria, mas de quente eu só tenho as dúvidas.
Eu quero todo o brilho da vida rápida e o espalhafato da morte explosiva em rica poeira colorida, sucumbindo ao virar do avesso. Linda se vista ao longe, abrasiva se nítida.
Talvez eu tenha morrido há muito e essa luz que acho ver em mim, é só resíduo de uma estrela extinta há muito, viajando de longe, morta.
Mas me sinto numa estrela de nêutrons, eternamente estática, presa em mim. Tão densa que temo afundar sem atrito, aporética, sem nunca achar o fundo.
O problema é querer ser supermassiva para explodir em supernova e terminar como um buraco negro, sem cor, sem fim, sem fundo, destruindo tudo o que criou e amou. Não tiro da mente que a mim restará a segunda opção, mas não arriscarei a ficar no meio, na segurança de um sistema estável e aconchegante, eu sou extrema demais pra ser tão morna. Me sinto grande demais para ser tão fria, mas de quente eu só tenho as dúvidas.
terça-feira, 1 de março de 2011
i said "maybe you're gonna be the one that saves me"
Lá vinha você denovo, lindo e ofuscante, marcava-me as retinas, reluzindo no alto dos seus um e oitenta e tantos... tantos!
Talvez nem tantos assim, talvez eu que seja muito pequena frente a ti, ou você grande demais para caber em si. Podiam ser só meus um e cinqueta e poucos centímetros de altura marcando-se (pouco) presentes, mas é que nunca me pareceram tão poucos, envergonhados de sermos tão pequenos juntos a seus braços fortes. Enormes.
Tá, talvez nem tão grandes assim. É que quando me abraças eu, já diminuta em tamanho, sumo de vista. Ou talvez só suma. Em suma é tudo o que há pra fazer.
Talvez você nem tivesse tanta luz assim, talvez não fosse tão grande (e nem eu tão pequena), talvez quem some é você, difuso dentro de mim. É que sei lá, parecia que tinha que ser coisa muito grande pra parecer certo eu me sentir tão protegida se envolvida por ti... Perdida em mim.
Talvez nem tantos assim, talvez eu que seja muito pequena frente a ti, ou você grande demais para caber em si. Podiam ser só meus um e cinqueta e poucos centímetros de altura marcando-se (pouco) presentes, mas é que nunca me pareceram tão poucos, envergonhados de sermos tão pequenos juntos a seus braços fortes. Enormes.
Tá, talvez nem tão grandes assim. É que quando me abraças eu, já diminuta em tamanho, sumo de vista. Ou talvez só suma. Em suma é tudo o que há pra fazer.
Talvez você nem tivesse tanta luz assim, talvez não fosse tão grande (e nem eu tão pequena), talvez quem some é você, difuso dentro de mim. É que sei lá, parecia que tinha que ser coisa muito grande pra parecer certo eu me sentir tão protegida se envolvida por ti... Perdida em mim.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Pique-esconde
Tem essa coisa errada em você que me atrai. Não sou o tipo que curte perigo, coisa errada, gente sem concerto... Esse é o ponto: o concerto. Se há algo errado nada é mais motivador do que o concerto. Demasiada ambição da minha parte, sei, mas é maior que eu: enquanto não houver certeza ABSOLUTA de que não há uma gota do que presta em você eu continuo. Eu acho que posso fazer dessa gota um vasto mar lindo e revolto em qual só eu saiba navegar. Meu.
Mas não tem meu, não há mar e talvez não haja nem uma gota! Talvez eu só acredite porque eu quero, não há evidência.
Você mostra e então esconde e eu não quero mais brincar disso. Perdeu a graça, perdi o jogo. Perdi você. Eu me perdi.
Mas não tem meu, não há mar e talvez não haja nem uma gota! Talvez eu só acredite porque eu quero, não há evidência.
Você mostra e então esconde e eu não quero mais brincar disso. Perdeu a graça, perdi o jogo. Perdi você. Eu me perdi.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Analista
Doutor, eu não tinha certeza se devia, mas vim... É que que tenho sentido uma coisa meio estranha, sei lá, como se estivessem puxando meu estômago em direção à boca e fica difícil respirar. Eu escondo (e muito bem) quando sinto isso. É uma mistura de enjôo com falta de ânimo... E dói, doutor! Em algum lugar perto do coração, sempre quando algo foge do que foi planejado. Até aí, ok, era ocasinal, eu sabia lidar quando acontecia e logo ficava bem. Mas tem ficado cada vez mais frequente, na presença de uma pessoa em específico.
É um misto de raiva, tristeza e decepção, ás vezes dói até a cabeça, o enjôo não me deixa nem falar, o problema é que eu gostava muito de falar com essa pessoa, talvez até demais! E tem dado tudo errado, tenho agido ás avessas, demonstrando o que não sinto, disfarçando tudo com um sorriso. Como se estivesse bem... Mas não está bem, tudo está errado, nada encaixa e tenho medo! Medo de ser a qual enlouqueceu, quem está do avesso, quem espera tudo de quem não dará nada!
Deve ser minha culpa (sempre é). A presunção tem me cegado, e sem minha verdade eu não sou nada.
É um misto de raiva, tristeza e decepção, ás vezes dói até a cabeça, o enjôo não me deixa nem falar, o problema é que eu gostava muito de falar com essa pessoa, talvez até demais! E tem dado tudo errado, tenho agido ás avessas, demonstrando o que não sinto, disfarçando tudo com um sorriso. Como se estivesse bem... Mas não está bem, tudo está errado, nada encaixa e tenho medo! Medo de ser a qual enlouqueceu, quem está do avesso, quem espera tudo de quem não dará nada!
Deve ser minha culpa (sempre é). A presunção tem me cegado, e sem minha verdade eu não sou nada.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Crise existencial
Ando com uma saudade estranha...
Saudade de ninguém,
de todo mundo.
Sinto saudades de mim.
Por onde tenho andado?
Saudade de ninguém,
de todo mundo.
Sinto saudades de mim.
Por onde tenho andado?
Assinar:
Postagens (Atom)